3/17/2014

Macumba Ecológica

Umbandistas, candomblecistas e adeptos dos mais variados cultos afro-brasileiros são comumente chamados de macumbeiros. Ao avistar, “naquela esquina” (encruzilhada) a vela acesa ao lado de flores, bebidas e alguidar, o leigo já pensa que está vendo uma “macumba”.
Desta forma, na cabeça de quem desconhece os cultos afro-brasileiros, a oferenda ou despacho feitos na rua já está associado à ideia de algo negativo, feito para prejudicar alguém ou para saciar interesses e desejos escusos.
O que não imaginam é que a maioria destes trabalhos são feitos dentro de um ritual, cuja base é o respeito. Por esta razão, os próprios adeptos da Umbanda devem repensar a ideia da oferenda feita na rua e na natureza.
“A oferenda de hoje é o lixo de amanhã”, diz Pai Ronaldo Linares, e por esta razão é importante desenvolvermos uma consciência que reúna ética ambiental e ecológica, que seja embasada pelo bom senso.
Da mesma forma, devemos repensar as oferendas na natureza, não no sentido de negá-las, mas de buscar amenor agressão possível à natureza. Podemos usar na Umbanda apenas elementos naturais e biodegradáveis como flores, frutas e bebidas, evitando deixar copos, garrafas e velas na natureza. Podemos ainda contar com espaços dedicados aos nossos trabalhos, graças ao pioneirismo de Pai Ronaldo Linares e Pai Jamil Rachid, que pensando nestas questões, há muitos anos, criaram o Santuário Nacional da Umbanda e o Vale dos Orixás.
Um dos objetivos é evitar de ter que fazer trabalhos na rua, que além de ser mal visto por toda a sociedade, também expõe o praticante da religião aos perigos de ser assaltado ou ser vítima de agressão gratuita ou discriminatória.  Esperamos que, no futuro, também diminua o preconceito e deixemos de ser chamados de macumbeiros.
Macumba é o nome de um instrumento musical de percussão, nome de uma dança e também o nome pelo qual foram conhecidos os cultos afro-brasileiros no Rio de Janeiro nas décadas de 30 a 70. Hoje, a palavra é pejorativa e ninguém mais quer ser chamado de macumbeiro. A única ressalva é que, por ironia, os próprios umbandistas se chamam de macumbeiros como zombaria e pouco caso do próprio preconceito que sofrem pela ignorância alheia.
Não somos macumbeiros; somos umbandistas, mas se nos chamarem de macumbeiros vamos rir da sua ignorância.
Texto publicado originalmente em junho de 2008 no Jornal de Umbanda Sagrada por: Alexandre Cumino

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